O que é o Espiritismo?

Allan Kardec

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V. — Solicito-vos uma última resposta: O Espiritismo tem poderosos inimigos; não poderiam eles interditar-lhe a prática e as sociedades e, por esse meio, impedir-lhe a propagação?

A. K. — Seria um modo de perder a partida um pouco mais cedo, porque a violência é o argumento daqueles que não têm boas razões.

Se o Espiritismo é uma quimera, ele cairá por si mesmo, sem que para isso se esforcem tanto; se o perseguem é por que o temem, e só uma coisa séria pode causar temor. Se, ao contrário, é uma realidade, então está em a Natureza, como vo-lo disse, e ninguém com um traço de pena pode revogar uma lei natural.

Se as manifestações espíritas fossem privilégio de um homem, não há dúvida que, arredando-se esse homem, se poria um termo às manifestações; infelizmente para os adversários, elas não são mistério para pessoa alguma; aí não há segredos, nada oculto, tudo se passa às claras; elas estão à disposição de todo o mundo e se produzem desde o palácio até a mansarda.

Podem interdizer-lhe o exercício público; porém, é assaz sabido que não é em público que elas mais se dão; é na intimidade; ora, desde que todos podem ser médiuns, quem impedirá que uma família no seu lar, que um indivíduo no silêncio do seu gabinete, que um prisioneiro em seu cárcere, tenha comunicações com os Espíritos, mesmo nas barbas da polícia e sem que esta o saiba?

Admitamos, entretanto, que um governo seja forte bastante para impedi-los de trabalhar em suas casas; conseguirá também que o não façam na de seus vizinhos, no mundo inteiro, quando não há país algum, nos dois hemisférios, em que não se encontrem médiuns?

O Espiritismo, além disso, não tem sua fonte entre os homens; ele é obra dos Espíritos, que não podem ser queimados nem encarcerados. Ele consiste na crença individual e não nas sociedades, que de nenhuma sorte são necessárias. Se chegassem a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos ditariam outros.

Em resumo, o Espiritismo é hoje um fato consumado; ele já conquistou o seu lugar na opinião pública e entre as doutrinas filosóficas; é pois preciso que aqueles, a quem ele não convém, se resignem a vê-lo ao seu lado, restando-lhes a liberdade de recusá-lo.

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